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PROGRAMA TEAR
TECENDO REDES SUSTENTÁVEIS


Martinho Santafé

Promovido pelo Instituto Ethos e pelo Fundo Multilateral de Investimento (Fumin), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Programa Tear – Tecendo Redes Sustentáveis tem como principais objetivos aumentar a competitividade e a sustentabilidade das pequenas e médias empresas (PMEs) e ampliar suas oportunidades de mercado.

Busca-se realizar esses objetivos pela adoção de medidas de responsabilidade social empresarial (RSE) em PMEs que atuam na cadeia de valor de empresas estratégicas em sete setores da economia: açúcar e álcool; construção civil; energia elétrica; mineração; petróleo e gás; siderurgia; e varejo.

Em cada um desses segmentos, identificou-se pelo menos uma grande empresa com experiências avançadas em RSE para ancorar o programa. No caso da região da Bacia de Campos (petróleo e gás), a empresa-âncora é a Petrobras, cabendo ao Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) a condição de indutor do programa. Em Macaé, com o apoio do Sebrae-RJ, foram selecionadas 16 PMEs da cadeia de valor (entre fornecedores e clientes), com as quais a empresa-âncora se comprometeu a trabalhar para a incorporação e ampliação de uma gestão socialmente responsável nos processos internos e no relacionamento com suas partes interessadas.

Na Bacia de Campos

O Programa Tear para a Bacia de Campos vem sendo implementado em Macaé pelos seguintes representantes de entidades: Aristóteles Riani, consultor local do Instituto Ethos; Gabriela Levone, do IBP; Glauco Nader e Fernanda Falquer, do Sebrae-RJ. O Arranjo Produtivo Local (APL) de Petróleo, Gás e Energia da Bacia de Campos prevê 25 ações e uma delas contempla a responsabilidade social empresarial, conforme explica Glauco Nader: "Em maio de 2006 realizamos um seminário no Sesi/Senai abordando os indicadores do Instituto Ethos, com a presença de 180 pessoas, demonstrando o grande interesse em relação ao tema". Identificando a demanda reprimida, outras ações foram idealizadas pela Rede Petro Bacia de Campos, entre elas a implementação do Programa Tear. "O Programa – explica Aristóteles, que é professor da Universidade Estácio de Sá em Macaé – objetiva mudanças do modelo de gestão das empresas baseado nos critérios de sustentabilidade". Glauco complementa: "O Instituto Ethos formatou uma metodologia de responsabilidade social mais flexível para ser aplicada nas pequenas e médias empresas".

Nesse processo, como instrumento de avaliação e monitoramento dos progressos obtidos, as empresas participantes responderão aos Indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial e preencherão a Matriz Brasileira de Evidências de Sustentabilidade, desenvolvida em parceria pelo SustainAbility, pela International Finance Corporation (IFC) e pelo Instituto Ethos.

Além das empresas-âncoras, o programa conta com parceiros (setoriais, regionais e nacionais) que têm o papel replicar a experiência para outras empresas e cadeias de valor, ligadas ao mesmo setor ou a outros setores, induzindo a adoção da iniciativa por mais empresas e tornando o conhecimento disponível a todos os interessados. Chamados de agentes de indução ou indutores de comportamento, são instituições e entidades empresariais que podem influenciar o comportamento das empresas em seu setor e contribuir para criar um ambiente favorável à incorporação da RSE pelas empresas brasileiras.

O programa em nível nacional conta hoje com a participação direta das nove empresas de grande porte que funcionam como âncoras e das 120 PMEs pertencentes às oito cadeias de valor assinaladas, envolvendo ainda outras 800 empresas durante as ações de mobilização. Conta também com a parceria de entidades empresariais setoriais, regionais e nacionais.

Engajamento

O Programa Tear foi criado em um momento bastante oportuno, tendo em vista a pesquisa realizada pelo Instituto Ethos e pelo jornal Valor Econômico comprovando que as empresas brasileiras de forma geral, inclusive as de pequeno e médio porte, estão mais engajadas no processo de responsabilidade social do que as estrangeiras, tendência claramente detectada na Bacia de Campos.

A Petrobras, empresa-âncora do Programa Tear, reconhece o acerto desse trabalho realizado em Macaé, conforme explica o gerente José Luiz Reis: "A Petrobras tem como política de contratação de bens e serviços privilegiar fornecedores que tenham a RSE como gestão estratégica. O Programa Tear vem contribuindo para a disseminação das boas práticas em RSE na Cadeia de Valor de Petróleo & Gás e a incorporação da gestão sustentável como produto diferencial para as empresas participantes. Como resultado do Projeto, a Petrobras identifica o desenvolvimento de multiplicadores na cadeia, o que vem reforçar como certa sua política da inclusão de RSE nos critérios de contratação".

Como funciona

Segundo Gabriela Levone, do IBP, o Programa Tear mantém encontros mensais de oito horas. Além disso, a metodologia prevê consultoria para auxiliar as empresas na implantação de tudo o que foi trabalhado nesses encontros. O consultor local, Aristóteles Riani, observa que o Sebrae tem tido participação importante na divulgação e no acompanhamento do Programa.

Em cada um desses encontros é colocado um tema, como por exemplo, princípios e valores, missão e visão, planejamento estratégico, oficina de indicadores, critérios essenciais, código de ética e relações de trabalho. Cada empresa tem uma tarefa interna decidida nesses encontros, daí a importância do acompanhamento do consultor local.

O Programa Tear tem a duração de 36 meses com 24 encontros, sendo que em Macaé já foram realizados 10. "Nos últimos 60 dias o Programa tomou um impulso muito forte e entrou na fase de implantação de fato, com os resultados já sendo percebidos. As empresas estão se reunindo em sub-grupos para discussões temáticas e identificação de prática que podem ser facilmente disseminadas", diz Aristóteles. Sete temas são contemplados nessas discussões: valores, transparência e governança; público interno; meio ambiente; fornecedores; consumidores e clientes; comunidade; e governo e sociedade.

A avaliação funciona assim: as empresas preenchem os indicadores on-line e o Instituto Ethos envia relatório com a pontuação de cada uma. A partir daí, elas poderão reagir com mais consistência. "Hoje as empresas estão reaprendendo a elaborar seus planejamentos estratégicos. E é importante que elas possam rever todo o planejamento dentro da ótica da sustentabilidade", diz Gabriela Levone.

Aristóteles vê nesse processo uma grande oportunidade para a formação de futuros líderes empresariais para a nova cultura da sustentabilidade. "Pela necessidade que se tem hoje, e como se trata de uma mudança de cultura no longo prazo, precisamos de ações mais contundentes. Por enquanto, elas têm sido tímidas, tendo em vista que apenas 16 empresas estão envolvidas no Programa, em um universo de mais de 5.000 empresas existentes na Bacia de Campos".

As empresas

Essas empresas participam do Programa Tear na Bacia de Campos: Aliminas, Drogaria Babuska, Edcontrol, Globomar, GT Náutica, Hidropartes, Jevin, K-Lund do Brasil, Laboratório Bioanálise, Ladder Consult, Falk Nutec, Óleo Hidráulica, RT Lea, Empenha, Sampling e Thread Pipe Machine.


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